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  Brasil -Domingo, 05 de fevereiro de 2012 - Hora: 20:45

 
 
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Era uma vez em Rivera a alguns graus negativos

Final da aventura

 Mas pelo menos dentro do ônibus com os vidros fechados e aquele ar caliente a temperatura ficou mais agradável que lá fora.

Com isso lá estávamos, na nossa terceira lotação, saindo daquele inferno, opa inferno não, melhor dizendo FREEZER rsrsrsrsrs.
Trinta minutos depois, o bus começou a ficar lento... Ficamos assustados, será que quebrou denovo... putz!

Calma, não era nada de mais, apenas o trânsito estava devagar devido a fiscalização aduaneira, quase todos os carros e ônibus eram revistados. Víamos pessoas descabelando-se, devido à grande quantidade de mercadorias eletroeletrônicas que traziam, tendo que pagar multa ou teriam os objetos apreendidos.

Ninguém no nosso ônibus tinha comprado este tipo de mercadoria ou excessos, e trinta minutos depois já estávamos rodando novamente.
Seguíamos tranqüilos, pois não podíamos nos mexer senão passávamos frio e devido ao cansaço nos acomodamos e dormimos.

A cada tranco e solavanco já ficávamos em alerta, assustados, pois tínhamos algumas horas até chegar em casa.

Até que...

Em determinado, aproximadamente as 02h30min o ônibus começou a falhar... Parecia que estava engasgando... Não atingia mais, a potência necessária. Quanto mais acelerava, mais rendimento perdia.

Lá estávamos, parando novamente, no meio da rodovia deserta. O descontentamento foi geral, o dono do ônibus que estava viajando junto, não sabia como apaziguar o ambiente. Resolvi abrir a janela e verificar o ambiente, estava muito frio mas os ânimos estavam quentes. Era noite de luar, e a paisagem brilhava, uma imensidão, campos brancos de geada que refletiam a luz do luar. Sem contar que não existia uma luz elétrica para dar o ar da graça. Nosso corpo já dava sinais de extremo fadiga, tive que dar meu moleton, que usava embaixo da jaqueta, para Adriane. Além de fazer massagens nos seus pés, pois já davam sinais de congelamento, aliás, minhas mãos também...

A constatação era que o óleo do motor estava congelando com o frio... Então não deveríamos perder tempo ali parados se não já era.

Conseguimos nos arrastar até as cidadezinhas aonde tinha alguns passageiros, estes nos deram boa sorte e tomaram seus rumos.

Em meio a uma parada e outra verificaram que o combustível também estava quase no fim, e pelo menos não estava congelando.

Nestas alturas, meus pés já estavam davam sinais de congelamento, além de não senti-los, ardiam. Sem contar às mãos, que mesmo com luvas de lã, não sustentavam mais o calor. Nossas pernas também doíam, com o frio que entrava pelas calças jeans sem pedir licença.

Nisso já passava das 03h45min, até que conseguimos nos arrastar até um posto de gasolina que incrivelmente estava aberto. Apenas as bombas de combustível, pois precisávamos de algo quente, mas a loja de conveniência estava fechada.

O frentista informou que alguns caminhões e ônibus estavam com o mesmo problema, devido ao frio. Enchido o tanque, pé na tábua!

Agora sim, em uma hora estaríamos em casa. Mas cerca de 20 minutos depois, o ônibus voltou a engasgar parando de vez. A explicação foi que o diesel colocado congelou, e apenas o combustível que já estava no tanque queimou resistindo alguns minutos. Chorar, já não adiantava, pois congelaria rsrsrsr...

Novamente estávamos no meio da rodovia, com frio, fome, cansados e sem hora pra chegar em casa...

O frio era intenso, o fator psicológico estava deplorável, nós passageiros não tínhamos o que fazer, até porque não tínhamos mais ânimo.

Deixamos tudo por conta do motorista e o dono do ônibus. Neste tempo de espera, ligaram para a base da empresa, que ficava em uma cidade próxima, solicitando outro ônibus para o resgate. Contamos com a colaboração de um dos raros caminhoneiros que passaram pelo local, que avisou ao pedágio sobre nossa situação e cerca de 30min, um caminhão guincho veio nos socorrer.

O tempo passava, a madrugada escorria e o frio que se alastrava. Vários minutos depois e beirando 5hrs da manhã, fizemos nossa quarta mudança de lotação, plena BR 285 e um frio fenomenal. O ônibus era mais novo comparado com aquele que estávamos, mas na mesma situação sem ar condicionado, saímos de uma geladeira para entrarmos num freezer.

O guincho rebocou ônibus até o mesmo posto que abastecemos e lá fizemos a baldeação das mercadorias para enfim terminarmos nossa jornada. Sem muitos rodeios, aceleramos o passo e seguimos em frente...

Passamos ainda em outra cidade para desembarcar mais alguns passageiros  
Agora sim, qualquer solavanco ou intempérie que ocorresse na estrada já ficávamos em alerta.

Faltando cerca de uma hora para chegarmos, não conseguimos pregar os olhos. O frio e a adrenalina e tudo que já tínhamos passado nos deixaram ligados.

Logo o sol já despontava no horizonte, dando pelo menos um alento.

Passando das 7hrs da manha de domingo. Chegamos ao nosso destino final, com muitas turbulências e sofrimentos, mas o principal, vivos.

Pegamos nossas, sacolas, mochilas e muambas. Desejamos boa sorte para os motoristas, botamos tudo nos ombros e seguimos.

Pois faltavam duas quadras ainda, até estarmos sãos e salvos de vez...

As pernas estavam bambas... Mas... Enfim conseguimos nos sair melhor que a encomenda... rsrsrsr.

Até a próxima.

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