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14/01/2008 - Posadas Argentina
Era cerca de 10h00min quando aportamos em Posadas, um calor parecido com o de
Corumbá. Primeira coisa, ver se estavam inteiras nossas mercadorias, pois
resistiram bravamente e depois tomar um banho de torneira. A rodoviária era
grande bem organizada e corremos até o balcão da empresa Reunidas, pois eu tinha
pesquisado sobre um ônibus que faz a linha Posadas - Florianópolis, passando por
Passo Fundo. Tivemos sorte, pois restavam poucas passagens e custou algo como 60
dólares, para meio dia. Fomos a uma lancheria e resolvemos tomar café, o meu
café foi uma cerveja Quilmes de 1 litro, pois estava com água na boca desde a
vez que estivemos em Buenos Aires.

Onde conheci a excelente cerveja hermana. Comemos uns petiscos compramos uma
água mineral grande e devido ao forte calor e o cansaço sentamos num banco e
ficamos esperando. Eu estava um pouco elétrico devida a cerveja, resolvi
explorar o local comprei uns alfajores e me informei sobre possíveis ônibus para
Ushuaia, nosso próximo destino. Ao sair pra fora do terminal avistei bem ao
lado, um baita supermercado, resolvi aumentar nossos suprimentos fui até lá e
comprei mais alfores e Quilmes, principalmente... rsrsrsr. Lá estava eu com mais
uma caixa de muambas no ombro com umas cervejas, doce de leite, alfajores e
azeitonas... rsrsrsrs. Tomei um suador danado, toda a cerveja que tinha tomado
tinha se esvairido em suor, ainda bem que tinhamos comprado uma água mineral de
2 litros se não tava ferrado.
Retornei para o terminal e me sentei com Adriane... começamos a refletir tudo o
que passamos e fizemos, nesta jornada que estava próxima do fim. Aguardando
nosso ultimo ônibus... Sonhávamos acordados, ainda incrédulos, no quanto esta
jornada tinha nos trazido de experiências. Foram muitas imagens, pensamentos
positivos, negativos e acima de tudo sabedoria e amizades... Faltavam algumas
horas pra retornarmos ao nosso mundo... Ao mundo real, os suspiros e emoções
tomavam conta... Pois todas as coisas reais que vimos, às vezes, por nos
prendermos a materialismo acabamos transformando em impossíveis e irreais ou
colocamos obstáculos como desculpas para não realizarmos. Eu e Adriane em
particular, foi uma "epopéia" de pensamentos e reviravoltas, até me dar conta do
erro que iríamos cometer se não fizéssemos isto... Devido a dificuldades
financeiras tivemos medo de arriscar, pois aqui no sul, pessoas de classe média
como nós, somos criados e orquestrados a viver no "sistema”. Sistema de vida, “modelo-clássico”,
crescer, estudar, trabalhar, fazer faculdade (se conseguir... e, se conseguir)...
Tendo o direito apenas de sonhar em tirar férias em praias ou em lugares
próximos... No meio de muitas criticas e desilusões, sobraram algumas pessoas ao
qual se tornaram especiais para nós e que citei no começo. Confesso que tivemos
medo, pois nunca tínhamos arriscado em sair e infringir, o "sistema". Mas
podemos dizer, que deste medo transformamos em atitude e pensamentos positivos,
que no ensejo encontramos pessoas com os mesmos ideais e no fim deu tudo certo...
Eram 11h50min, iríamos pegar nosso último ônibus desta longa jornada. O
motorista era gaúcho e nos contou vários causos que aconteceu com ele e seus
colegas, nos ajudou a acomodar nossas muambas. Dei uma gorjeta para o carregador,
meus últimos pesos argentinos, tudo em moedas. Entramos, nos acomodamos até o
momento da partida. Tinha muitos argentinos no bus, pois iriam visitar as praias
Catarinenses, falavam alto e estranhavam o fato de que neste ônibus, não tinha
música nem filmes... rsrsrsrs. Fomos contemplando as ultimas horas em território
argentino, com um calor de 40 graus incrível... Logo carimbamos nossos vistos de
saída, atravessamos a fronteira por São Borja. Em seguida já notamos claramente
que estávamos em solo gaúcho e em território brasileiro... Devido as estradas
esburacadas que confirmavam, e que confirmam a Marca Registrada do Brasileira.
Aliás o Brasil poderia registrar esta nova patente, esta nova marca, Estradas
Esburacadas. Comento isto, pois tirando as estradas de chão ao qual passamos,
nem a Bolívia tinha e tem, estradas tão horríveis quanto as nossas, o Chile
então, nem se fala, parecem tapetes de asfalto... Por volta de 21h00min paramos
em Cruz Alta para jantarmos, depois de muitos dias voltamos a assistir uma
televisão brasileira rsrsrsrs. Neste momento já estávamos ansiosos para
chegarmos em casa, faltava pelo menos algumas horas de viagens. Perto das
22h00min o motorista colocou um filme para acalmar os argentinos, em um volume
agradável desta vez rsrsrs. Acabamos curtindo nosso ultimo filme desta jornada...
Próximo a meia noite estávamos em nossa cidade, Passo Fundo. Olhávamos com olhos
diferentes e suspiros de lembranças... Pegamos um táxi e exatos 00h22min do dia
16 de janeiro chegamos em casa. Após quase 20 dias de jornada retornávamos as
nossas origens, ao nosso mundo real.
Adriane já tinha perdido dois dias de
trabalho e eu, sou um caso complicado a parte... Mas mais importante é que,
tínhamos vencido os receios desafiado o sistema e acima de tudo felizes. Pois
esta atitude fortaleceu nossa alma e nos encorajou a ter uma visão mais serena
sobre muitas coisas.
Abro este parágrafo para falar que grande parte desta jornada, deu certo, devido
às amizades que fizemos. Marcelo, Débora, Phillip, Luciana, Leon, Bernardo,
Leandro, Jeferson e Tatiana. As grandes e confiáveis pessoas que tivemos ao
nosso lado. Pois nem sempre damos a sorte de encontrarmos pessoas assim. Espero
voltar ao “sistema” e conseguir financiar minha próxima aventura... Patagônia,
Ushuaia...
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