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08/01/2008 - Arequipa
Saímos de Cusco, pegamos os primeiros bancos, pra variar tinha televisão,
filme e criança chorando. Logo o serviço de bordo era suco, bolachinha salgada,
doce e um alfajor. Deixamos para o café da manhã aquela refeição. No meio da
madrugada sentimos frio e estávamos apenas com nossas mochilas de mão e uma
jaquetinha, o que fazer? Lembrei das capas de chuva, pois as enrolei e guardei
na minha mochila, eram de plástico e pra alguma coisa serviriam. Não deu outra
foi um excelente cobertor... De manhã cedo por volta das 07 h estávamos em
Arequipa, cidade interessante, quem tiver tempo de conferir de perto vale a pena...
Fomos até o saguão do terminal estava meio deserto, estranhamos um pouco.
Aproveitamos pra tomar café com o lanche do bus, lanche este que mais tarde
serviria de almoço rsrsrs. Pegamos informações e tínhamos que nos dirigir até o
outro terminal, ao lado, e achar a empresa Flores, para conseguirmos passagem
até Tacna. Neste terminal sim, uma muvuca danada, gente pra todo lado, demos
azar, pois somente teria passagem para as 10h00min, com chegada prevista para as
15h00min. A nossa sorte era que aceitavam cartão o que facilitou nossos gastos.
Demos uma volta pela cidade fizemos um câmbio e por volta das 10h00min entramos
no bus... Pinga pinga danado, mas foi legal fomos conhecendo diversas
cidadezinhas no caminho. Logo na saída de Arequipa a geografia começa mudar
drasticamente, passando de vegetação e montanhas de neve para relevos secos e
avermelhados. Sem falar que o calor começa a pegar, as paisagens de Arequipa
passavam uma sensação de solidão. Incrível, como a nossa mente é capaz de
perceber e interagir visualmente com o local.
Como já disse a sensação de solidão não era algo ruim, mas estranho de
sentir, as montanhas secas, muitas mineradoras fazendo parte do ambiente, o
calor sem um vivente por perto... Passava das 13h00min o ônibus parou numa
fiscalização, o SENASA no meio do deserto, tinha uma placa grande que dizia para
não portar produtos vegetais e agropecuários, descemos do ônibus pra ser
revistado. Passamos pelos raios-X e aguardamos. Neste meio tempo eu precisava ir
ao banheiro e fui informado que era pra ir até um local afastado uns 50 metros a
céu aberto, cercado. O local parecia um chiqueiro, onde todo mundo fazia as
necessidades ali, homens, mulheres e se bobear até os cachorros. rsrsrs...Voltamos
todos para o ônibus e seguimos em frente, quase no fim da viagem comecei a ter
fortes dores de cabeça, parecia enxaqueca ou pressão alta, pois o calor,
irritação com a criançada chorando e além do que, fazia dois dias que não tomava
banho, tudo ajudou.


Tacna - Em Tacna a primeira coisa a fazer foi compra água e uma coca
cola bem gelada, pra aliviar a pressão, pois não conseguia nem carregar a
mochila tive que fazer um esforço danado, pois não podia desanimar. Tomei uma
aspirina junto com a coca cola e esperamos uns minutos até restabelecer o
contato. Logo já tinha reanimado e estava com uma sensação estranha parecia
estar bêbado meio zonzo... Fomos em direção a rodoviária de Tacna, era um enorme
estacionamento de táxis, e logo um carinha já veio nos oferecer serviços de
transporte e ajuda, pra chegarmos a Arica. Eu naquele estado estranho e Adriane
cansada, um pouco assustada, o que fazer? Acreditar? Pagar?...Bom o fato é que
andamos com ele até um guichê onde tinha uma mulher que nos cobrou uns 30 soles
pra bater uma máquina de escrever, preencher uma ficha e uns papéis estranhos.
Papéis que mais pareciam uns talões de jogo do bixo com o número de nossos
passaportes e identificações, muito estranho. Naquele momento eu me segurava pra
manter o controle, disfarçando a "bebedeira" de coca cola com aspirina e dor de
cabeça. O carinha nos apresentou o taxista que ia nos levar o taxi que íamos. Li
nos documentos que se tratava de um Ford ano 1982, o taxista parecia ter uma
fisionomia apresentável, abriu o carro e ficamos sentados... E cadê o homem...
Já fizemos mil questionamentos... Fomos logrados! E agora... Passados 30 minutos
fui ao balcão, e a mulher da máquina de escrever me disse que o taxista
precisava de mais 3 pessoas pra nos levar, putz! Que loteria mais três, vamos
ficar aqui até noite... Neste tempo tiramos umas fotos e aguardamos uns 15
minutos, depois chegou o motorista com Três benditos passageiros, duas mulheres
e o filho de uma delas.


Aduana Peruana e Chilena - Lá fomos nós, queimando pneu num asfalto
impecável, comparado com uns asfaltos brasileiros... Acredito que dava uns 70 km
para atravessarmos as fronteiras. Foi mais uma aventura, corríamos a mais de 120
km/h e a paisagem já se transformava novamente, agora não tinha mais montanhas
ou relevos, agora era somente um plaino meio rosado. Passamos pelo shopping Duty
Free, no meio do caminho e íamos curtindo a viagem no banco da frente eu e
Adriane. O motorista nos deu um papel branco pra ser preenchido e tínhamos
aquele outro "jogo do bixo" que a mulher nos deu. Ficamos novamente desconfiados,
mas preenchemos e logo estávamos na aduana Peruana. Tudo sob orientação do
taxista e da fiscalização tivemos tratamento especial. Não tivemos que ficar na
fila, mostramos nossas mochilas apenas abrimos os zíperes e uma olhada
superficial. Estava levando um saquinho de folhas de coca (só pra lembrar pode
dar problema) o policial pegou na mão e mostrou para o responsável, os dois
conversaram, não entendi nada, mas só pela cara do responsável pude notar que
ele disse algo Ah é apenas um chazinho! Esperamos os outros e passamos para o
outro lado, andamos mais uns quilômetros e chegamos à aduana chilena. Ficamos
numa fila, por orientação do taxista entregamos os papeis, que tínhamos junto
com o passaporte passamos por uma revista visual onde o policial ao perceber que
éramos brasileiros foi muito simpático, puxando conversa principalmente sobre
futebol. Incrível, como a palavra futebol brasileiro vira senha ou cartão de
acesso pra algumas coisas... Um detalhe na aduana chilena me chamou atenção, os
cachorros que trabalhavam ali, tinha labradores que mais pareciam
fisiculturistas. Circulavam entre as pessoas nos carros, por tudo a procura de
droga e principalmente alimentos do tipo orgânico. Passamos e pude ver numa
sala, parecia um mercadinho de tanta coisa alimentícia que tinha sido apreendida...
Tiramos mais umas fotos pra variar, e lá seguimos novamente, a todo vapor agora
em solo chileno com destino a Arica. Aos poucos começamos a avista a cidade e o
Oceano Pacifico... A cidade era muito bonita organizada, já o Oceano meio feio
sem cor... A esta altura já tínhamos tirado da cabeça a idéia de que fomos
logrados e que se o motorista cobrasse algo pagaríamos com prazer, pois foi uma
tremenda aventura. O taxista parou num terminal ao lado da rodoviária e nos
orientou onde pegar o ônibus, agradecemos e partimos.

Arica (Chile) - Chegamos à rodoviária, fedorentos e exaustos e ali
descobrimos que o Chile é um país totalmente a parte do MERCOSUL, apesar de
fazer parte do MERCOSUL. As nossas impressões foram que o portunhol não funciona
em comparação com os outros países que passamos, o povo é meio fechado às vezes
grosseiro, fora que o real não vale muita coisa e o dólar somente alguma coisa
rsrsrsrs. Chegamos à casa de câmbio, que era parte de uma empresa de viagem e o
cara parecia que estava fazendo um tremendo favor pra nos, em partes estava, mas
com um ar de "saco cheio". Demoramos um pouco pra raciocinar, pois lá tudo gira
em torno de 1000, parecia o Brasil em época de cruzeiros. Trocamos uns soles que
tínhamos e mais uns dólares, observei que o real tinha cotação parecida com o
soles (mais ou menos 1real=176 peso chileno 1sole=170 peso chileno 1dólar=480
peso, algo assim). Pagamos as passagens o equivalente a 60 dólares cada até
Calama. Com saida às 22h30min, e eram naquele momento 20h00min horas. O senhor
que nos atendeu, foi bem atencioso e prestativo, nos deu algumas orientações,
inclusive quando eu fui pagar as passagens com peso chileno, ele me disse pra
segurar, pois iríamos precisar inclusive de manhã cedo em Calama.
Tínhamos algumas horas e resolvemos andar pela cidade, não fomos muito longe
da rodoviária, fomos pelo menos chegar perto do Oceano Pacífico e contemplar o
entardecer entre nuvens. Compramos uns chocolates custaram 250 pesos,
equivalente a uns 0,50 centavos de dólar. Retornamos para a rodoviária e meu
instinto de limpeza dizia que deveríamos tomar um banho pois não agüentaríamos
até S.Pedro, pagamos 650 pesos por um banho frio e precário. Mas confesso que
com o calor e dor de cabeça que estava foi um dos melhores e demorados banhos
que tomei. Um detalhe, sobre a hospitalidade do povo chileno, pelo menos ali na
rodoviária, foi o fato de estarmos sentados numa espécie de praça de alimentação
com mesas e cadeira de plástico da coca cola distante de um ponto de venda, pois
estávamos apenas descansando. Uma mulher, de uma das barracas que vendem coisas,
que parecia ser a "dona do local", chegou com uma cara e atitude simplesmente
autoritária, querendo que comprássemos alguma coisa. Eu disse que não, mas ela
insitiu tanto, quase nos enxotando, que tive que pegar uma água mineral sendo
que não gostou muito.
Episódio a parte chegou o nosso horário, um ônibus muito bonito, laranja (não
vou citar o nome, pois em outra ocasião tivemos uma péssima recepção de outro
ônibus da mesma empresa). Nossos bancos eram os primeiros e pra variar filmes,
criança chorando e som alto... rsrsrsrs, eu tinha tapa ouvidos me acomodei no
banco e dormi. A Adriane se incomodou um pouco, mas logo dormiu. No meio da
madrugada, mais ou menos, 02h00min paramos numa outra Aduana para outra revista,
lá fomos nós descer do bus, revistar, subir no bus e dormir de novo. |