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27/12/2007 - 2º dia, Campo Grande - Corumbá - Puerto Quijarro. Neste bus
tinha diversas pessoas e muitos mochileiros... Mas a primeira parte da viagem
foi meio enjoada, estávamos cansados e a paisagem não era muito animadora,
parecia que o ônibus andava, andava e não saia do lugar.
Até fazermos à primeira parada em uma cidadezinha... Estávamos mais
descontraídos, pude conversar com uns mochileiros paulistas trocar informações e
idéias... A paisagem, às vezes é desoladora, pois a vegetação natural cedeu
lugar a fazendas, e muitas destas fazendas são de criação de gado. Estas abrem
grandes clareiras a perder de vista no meio do mato pantaneiro... Nas horas
finais vai mudando um pouco, avistamos as imensas chapadas que ali estão...
Compensando, um pouco a cansativa viagem... Em Campo Grande, devido ao fuso
horário, atrasamos o relógio em uma hora, e na fronteira com a Bolívia fomos
avisados para atrasar em mais um. Logo chegamos em Corumbá, perto das 15 horas.
Na rodoviária tinha varias pessoas vendendo pacotes de viagem e passagens de
trem, e "alertando" os viajantes que não tinha mais passagens pro trem, para os
dois dias seguintes... Mas não caímos no conto (aliás, não caia no conto)...
Logo o grupo de mochileiros que estavam no mesmo bus se dispersou, pois cada um
tinha um roteiro, e nós, o nosso. Mas logo nos juntamos a 2 mochileiros cariocas
o Leandro e Bernardo (estes que nos acompanharam até Machu Pichu e depois nos
encontramos no penúltimo dia nosso em S. Pedro de Atacama), Decidimos logo,
pegar um táxi e ir até a fronteira pagamos 25 reais, e no caminho o taxista nos
deu altas dicas de como proceder na fronteira...

Fronteira - Puerto Suares e Quijarro! Estas cidades são capítulos a
parte. Tinha acabado de chover e não imaginávamos o que nos esperava... A lama
escorria por todos os lados... To dizendo, lama!... A impressão era das piores...
Pra não dizer outras coisas... Logo veio um taxista boliviano oferecendo corrida
por 10 reais... Bom, achamos barato, pois pagamos 25 reais até ali, mas antes
ele nos "assessorou" orientando sobre o carimbo em nossos passaportes... Bom, eu
e a Adriane quando tomamos a vacina no posto de saúde de nossa cidade nos deram
a carteirinha branca, mas deixamos bem claro que queríamos e precisávamos da
amarela. Disseram que não tinha problema em usar a branca, então estávamos lá,
na Aduana Boliviana trancados porque o "policial" queria a carteirinha amarela.
Eu estava irritado e transtornado por não saber o que fazer, cansado, com dor de
cabeça, sujo, e ainda por cima aquela lama toda nos pés...sai pra fora da Aduana
e o "assessor" disse - por que não da uma "$ajuda$" pra ele - Dito e feito,
muitos sentimentos se passaram naquela hora pois, como vivemos em meios corretos,
sempre visando a honestidade, aquele foi o caminho mais rápido e instantâneo pra
terminar aquele sofrimento. Perguntei para o policial se eu poderia ajudar com
alguma coisa, ele me respondeu que sim, mas que não teria um valor assim
especifico para "ajudar". Eu só tinha 10 dólares trocado, depois somente notas
de reais e dólares maiores. Saltou um brilho no olhar dele, disse tudo bem e
muito bom... Mandou botar o dinheiro dentro de uma gavetinha que já estava cheia
de dinheiro de todas as espécies... Reais, bolivianos, dólares.
Ai o policial tinha que ter dado um papel verde, não deu. Lembrem Papel Verde...
Bom, achamos que estava tudo correto, carimbado, que tocamos o “barco” e
seguimos com o táxi de 10 reais, pechinchem o correto é 5 reais. Fomos em
direção a estação e as imagens eram de faroeste, era um negocio bizarro o que
víamos, lama, terra, poeira, botecos, Evos Morales andando pelas ruas (pois
todos os bolivianos se parecem com ele rsrsrs)...Chegamos na famosa Estação do
Trem da Morte, logo fomos ao guichê de compras de passagem, tinha um grupo de
umas 9 pessoas tentando comprar passagem, mas o clone do Evo Morales, insistiu
que não tinha e que somente tinha pra domingo, lembrando que era sexta feira.
Aguardamos aquele grupo discutir por uns 15 minutos, e la fomos-nos... E quem
disse que tinha... Lá se foram 30 minutos discutindo pois precisávamos o quanto
antes dàquelas passagens... E bla bla bla... Demos um tempo na negociação, pois
chegou um carinha oferecendo passagem de avião ficamos negociando, fingindo que
iríamos de avião pra tentar iludir o Evo... Pois era caro e nos falaram que era
um teco-teco perigoso... Voltamos para o guichê e lá se foram uns 10 minutos...
Até que do nada o cara (Evo rsrsr) perguntou quantos eram e disse que tinha 4
passagens pra sábado...quase não acreditamos até ele imprimir as passagens e nos
mostrar...pagamos 16$ dólar cada...e nisso o grupo voltou e viu que nos
conseguimos, indignaram-se e foram para o guichê daí pra amenizar eu disse que
tínhamos dado um gorjeta pro cara...e saímos rápido...(Uma dica que nos deram
era voltar pra Corumbá e se hospedar lá, um casal de amigos caiu no conto da
passagem e sem orientação ficaram 2 dias naquela cidade...virei fã deles,
rsrsrsr, pois eu falei que somente se você fosse avestruz, Rambo ou Indiana
Jones ficaria em Porto Suares ou Quijarro, ehehehe). Pagamos 5 reais o táxi até
aduana e depois mais 20 reais até o Hostel Internacional Corumbá...

Corumbá - A idéia de ficar neste Hostel foi dada por uma paulistana
Roberta, que disse que lá era o ponto de encontro de todos os mochileiros que
vão pra este caminho... E era verdade, tínhamos outros hostels pra pesquisar,
mas este era agradável e a diária de 25 reais por pessoa incluia café da manhã.
Estávamos tão cansados que não pensamos duas vezes.
Deixamos nossas mochilas no hostel e fomos até a ANVISA pra trocar as
carteirinhas de vacinas brancas pela Amarela, para evitarmos "propinas" futuras,
ops, problemas futuros. Neste tempo conhecemos o Leon, paulista, que nos
acompanharia até o momento de pegarmos o bus pra Arequipa e ele iria pra La Paz,
pegar o avião de volta pra Sampa. Na ANVISA demorou pra burro, mas conseguimos...
Voltamos pro hostel conseguimos tomar um banho depois de quase dois dias sem...
Mais à tardinha fomos dar umas voltas na cidade, e podemos ver que se trata de
uma cidade centenária com casas antigas mas reformadas muito interessante de
ver, ruas largas, praças, e uma vista muito legal do porto, apesar do calor vale
a pena conhecer a historia do lugar. Comemos um prato típico chamado Arroz com
Lingüiça, muito saboroso, num restaurante, que parecia um quiosque grande muito
legal... Compramos alguns mantimentos para levar no trem da morte... Água,
principalmente... Alguns souvenires do pantanal e voltamos pra descansar, pois o
dia seguinte ia ser peso. (Uma dica, leve barra de cereais, nós levamos
bastante, não pesa, dura bastante e nos alimentou em situações difíceis de "engolir").
No outro dia podemos ver vários mochileiros, e todos com o mesmo destino e lá
tinha vários grupos e indiretamente formaríamos um grupo chamado "Los
Descarrilados". Aguardamos até o dia seguinte o calor era bastante tomamos o
ultimo banho às 11h30min, pois ao meio dia fechava à diária, e todos no hostel
estavam na mesma, parecia uma comitiva de mochileiros aguardando até as 16 horas
o trem...

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