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Granada: Ainda na rotina preguiçosa de Barcelona, acordei super tarde e apanhei
para encontrar a saída correta da cidade para ir a Andaluzia, a melhor ajuda que tive foi de um casal de velhinhos que queriam por toda lei que eu fosse de trem. Resultado, peguei a primeira carona ao meio-dia e, dessa vez,
não deu. Mesmo com a força do José, caminhoneiro figuraça das Cervejarias Damn, que me levou por mais de 500 Km (de Barcelona a Granada sao mais de 1000 Km!), tive que armar a barraca numa parada de
caminhões e dormir com o ronco dos motores. Na manha seguinte, cheguei em Santa
Fé - vilarejo próximo de Granada - com a Sarah, uma alemã que passaria por
lá para buscar os filhos numa comunidade de viajantes, passavam as ferias com o pai. Nessa comunidade, que basicamente eram caravanas e vans estacionadas em um campo de oliveiras, ao lado de uma fonte de agua quente, pude conhecer um pouco melhor esse estilo de vida que me pareceu bonito mas um tanto vazio -
não posso dizer muito, porem, afinal fiquei lá só algumas horas. O fato e que depois de um dia e meio de uma viagem dura, relaxar nas termas por um
tempão me deu aquela sensação de felicidade por estar vivo e paz, sorrir apenas porque tomava um banho. Enfim, Granada!!!! Lugarzinho bom pra
não fazer nada e esse, muito bonito, muito tranquilo, seus bairros de casas todas brancas,
típicas da Andaluzia, os becos e ruelas (você vai se perder entre eles, pode ter certeza...), tudo
lá é um convite para a boa vida. Em Granada, se você pede uma bebida, mesmo que seja refri, te servem uma tapa (fala serio!), comi como um cavalo o dia todo e experimentei todas as sangrias da cidade, cheguei ate a improvisar "una sangria brasileña", com o auxilio do Edgar, um mexicano camarada que conheci por ai e que sabia menos que eu como preparar o
troço. Alhambra e demais, uma fortaleza de arquitetura moura, do tempo da invasão
muçulmana, imponente, no alto do morro, com vista para toda a cidade - são
vários os prédios que compõem o complexo de Alhambra, alem dos jardins externos - a entrada
doi no bolso (dez euros) mas vale a pena. Quase no final da cidade, depois do bairro de Albaicin, existe um grupo de pessoas que, por
opção ou falta de dinheiro, vivem em covas, pequenas cavernas sem nenhum saneamento
básico mas com muita historia pra contar, não se prive de passear por lá também.
Granada e cercada pelas Alpujarras, montanhas que ficam no principio da Sierra Nevada, e que protegiam a cidade em tempos antigos, é um destino interessante. Eu achei que minha cota de montanha
já estava alta depois de Wales e decidi ficar pela praça mesmo, sob o sol, vendo o dia passar, "estuve mui bien"...
De Granada, chegou a hora de pegar uma praia!!! O destino foi a famosa Costa do Sol, litoral sul da Espanha, e a cidade, Almuñecar. La, segui o mesmo roteiro de Granada, ou seja, comi, dormi e relaxei ao ar livre. A praia e de areia grossa, cheia de pedregulhos e o mar e muito gelado, foi um pouco
decepcionante tendo em conta a fama do lugar - o negócio e que praia de verdade se encontra no Brasil, Caribe,
Polinésia... na Europa, apenas nas Ilhas Gregas - mesmo assim foi o máximo
voltar a nadar no mar, entre os corais, e sentir o sol queimando minha pele, depois de tanto tempo. Em Almuñecar, assim como em todas as cidades da costa sul da Espanha e de Portugal, existe o
fenomeno da migração de adultos de meia idade, provenientes de países mais ricos, como Inglaterra e Alemanha, que decidem viver sua velhice num ambiente mais tranquilo. Isso causa um impacto social enorme, dos
preços nos supermercados a paisagem das cidades, por onde pipocam construções
de edifícios de luxo. Fato e que enquanto alguns moradores locais agradecem a retomada das ofertas de emprego, outros reclamam da
descaracterização das cidades e alta dos preços. De volta a viagem, parti de Almuñecar rumo a Algeciras, onde pegaria o ferry para Marrocos, e tudo ia muito bem ate que uma tia me deixou em uma
saída da Autopista, logo ao lado do pedágio, que vacilo! (nos países europeus normalmente ha as Autopistas, ou Speedways, por onde
não se pode caronar, e as Rodovias Nacionais). Resultado, fui barrado pela senhora do
pedágio na volta, o que me deixou duas opções: pular a cerca da Autopista ou caminhar 5 Km ate a Nacional.
Lógico que escolhi a primeira, lógico que a cerca era particular e o dono um
agricultor turrão e mais lógico ainda é que, nesse exato momento, uma viatura passava pelo local, meu passaporte foi checado de cima a baixo e ainda tive que ouvir essa do Milico, "sabe o que passa, a gente por aqui esta meio
paranóica, essa onde de terrorismo...". Fala serio, o vilarejo não devia ter 200 pessoas! Enfim, depois de 5 km suados, peguei um
ônibus ate Algeciras e com mais algumas horas no ferry, tão veloz quanto uma canoa, UFA, Bem Vindo a Marrocos! |