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  Brasil -Quarta-feira, 10 de março de 2010 - Hora: 22:5

 
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Viagem pela Europa - Dublin parte 2

Dublin: Dublin foi, por muito tempo, uma excelente alternativa para aqueles que queriam aprender inglês, conseguir trabalho facilmente e curtir a proximidade com a Europa sem ter de encarar o custo de vida de Londres. E ainda é! O problema é que ano após ano mais e mais gente percebeu isso - espanhóis, africanos, chineses a agora o pessoal do leste europeu - e essa condição não vai durar muito tempo, principalmente pela chegada de nove novos países da União Européia no dia 1º de Maio (Polônia, Hungria, República Tcheca, Eslováquia, Estônia, Letônia, Lituânia, Malta e Chipre Grego). Os imigrantes destes países já estão vindo, muitos deles com qualificação e bom nível de inglês, sem precisar de visto de trabalho a partir dessa data e igualmente dispostos a receber o mesmo que a gente. Em oito meses em Dublin, conheci mais de 40 poloneses (e menos de 10 brasileiros), só na minha última casa morei com sete - aliás, se conhecer algum, converse sobre moradia barata e emprego, eles são muito ligeiros.
Por toda essa situação, trabalhar ilegalmente não é muito recomendável porque a imigração tem começado a procurar mesmo em setores considerados "seguros" como construção civil e courier. Para trabalhar legalmente há duas opções: pedir o visto de trabalho (work permit) no Consulado Irlandês ou tornar-se estudante. Salvo casos especiais, visto de trabalho não tem sido dado há muito tempo, além do que será necessário apresentar uma carta do empregador mais uma pilha de documentos. Por isso, na minha opinião, a melhor opção seria o visto de estudante que, na teoria, permite trabalhar 20 h por semana, mas na prática quase não há fiscalização (eles estão se ocupando com os ilegais primeiro). Quando pesquisei o preço de escolas de inglês (SET/03) a mais barata que encontrei foi a City College, fica na O'Connell St, preço de 970 euros por 3 meses, 1170 por 6 meses e 1470 por um ano, confira se vale a pena pagar o curso no Brasil ou vir como turista e pagar por aqui e muito cuidado com as escolas "chinatown", certifique-se com a imigração se a escola escolhida é aceita por eles. A não ser que você tenha cara de terrorista ou gagueje nas perguntas óbvias, passar pelo aeroporto é fácil, sobretudo no verão (afinal, você é turista!). Se optar por pagar o curso aqui, aí vai sua via sacra, passo a passo:
Depois de pagar a escola, ela terá que providenciar a abertura de uma conta bancária ou no post office (correio), além de uma carta contendo seu nome CORRETO, confirmando que você é estudante FULL-TIME, do dia tal ao dia tal, a ser apresentada ao GNIB (Garda National Bureau of Imigration, fica na Eden Quay, perto da O'Connell Brigde). Quando for ao GNIB requerer seu visto de estudante tenha em mãos: 
passaporte
Carta da escola (FULL-TIME, mané!)
Extrato da conta (um valor mínimo de seguranca seria 600 euros, e um cartão de crédito ajuda)
Comprovante de Residência (caso não tenha contrato, peça uma carta ao hostel ou ao seu landlord - proprietário da casa)
Passagem de volta

Por sorte, só me pediram os três primeiros documentos, pois eram os únicos que tinha (até hoje não tenho a passagem de volta muito menos cartão de crédito), já para meu camarada pediram tudo e ainda fizeram cara feia, portanto, não vacile. Assim como para passar no aeroporto, o fundamental é ter o discurso pronto, seja convicto - seu objetivo é estudar inglês, você tem que voltar pro Brasil por alguma razão (acha uma convincente!) e até tentará trabalhar pra ajudar seus pais a te bancarem desde que não canse muito.
Agora você deve estar pensando, Passagem (700) + Escola (1170) + Acomodação no Hostel (240 por um mês) + Comida (80 por mês) + Transporte (30 por mês) = 2300 euros logo de cara!! Se não arrumar um trampo no primeiro mês, dançou!! Então, caso não receba dinheiro dos seus pais, correrá o risco de trabalhar apenas com o visto de turista (ou seja, ilegal) por algumas semanas, talvez seja uma opção, mas não a melhor. 
Muito bem, de posse do seu passaporte com o visto de estudante, da carta da escola e do comprovante de residência vá ao Wellfare Social Office da região em que mora e peça seu PPS number (Personal Public Service Number), que é o número de cadastro para pagamento de impostos, entre outras coisas. A maioria dos empregadores vai te pedir o bendito, mas já comece a procurar emprego antes, diga que está na espera (leva de 3 a 20 dias pra chegar). Antes de ir à caça do seu ganha-pão, arranje um número de telefone irlandês para pôr no currículo (isso é fundamental, o ideal seria comprar um celular ou um chip, como a TIM faz no Brasil) - quanto aos CV's, solte sua imaginação e minta à vontade, ninguém vai conferir mesmo, e sua experiência junto com o nível do inglês serão decisivos. Seria legal ter pelo menos três tipos de currículo, por exemplo, uma para waiter/waitress and floor staff (garcom/garconete e coletor de copo), um para attendance (atendimento) e um para kitchen porter/chef (auxiliar de cozinha/chef), que são as vagas mais comumente oferecidas, e pagam de 5 a 8 euros por hora). Limpeza e Babá pagam um pouco melhor, de 7 a 10 euros por hora só que não é tão fácil conseguir porque a maioria das vagas são vinculadas a agências de emprego, que podem pedir o work permit. Não deixe de procurar também na sua própria área, caso tenha (nunca se sabe, por que não?), há uma carência enorme em vários setores, principalmente na área da saúde e assistência social. Construção civil paga muito bem e também há vagas, se quiser tentar via agência ou nas próprias empreiteiras, terá que mentir que tem o visto de trabalho e realizar um curso chamado Safe Pass, oferecido por muitos locais, custa no mínimo 100 euros. A outra opção é ir a obras bem menores e perguntar diretamente - essa estratégia, aliás, deve ser aplicada a todo o momento, não deixe de perguntar em todo lugar se há trabalho, seja feira, posto de gasolina, obra, pergunte sempre! Existem ainda centros de apoio ao desempregado chamado FAS onde qualquer um pode procurar por todo tipo de trabalho no computador, imprimir os dados e ligar de lá mesmo, tudo gratuito.
Procurar emprego é, sem dúvida, a parte mais desgastante da viagem ao exterior, não desista! Bata perna o dia inteiro, procure por cartazes, converse com pessoas, vá à internet, enjoe de ouvir NÃO e reze pra ter a sorte de ouvir um TALVEZ ou SIM, que pode vir em dois dias ou em um mês. No texto passado (Viagem pela Europa - Dublin, parte 1) eu me esqueci de citar como bons lugares para procurar acomodação os murais da USIT e do Trinity College.
É isso ai, o tema do próximo relato será o belíssimo interior do país e o próximo destino será Wales! 
Até logo
Thiago de Sá

 
Contato
 Em breve uma nova forma de contato com o Thiago
 
 

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