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  Brasil -Sábado, 04 de setembro de 2010 - Hora: 16:9

 
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Viagem pela Europa - Portugal

Portugal: Depois de tanto tempo tentando me virar com as mais diversas línguas - inglês, catalão, espanhol, francês, árabe, berbere! - dizer um simples "por favor, onde fica a rodovia?" foi uma tarefa trabalhosa. Nunca o português foi tão difícil. As palavras mais banais eram esquecidas, as frases se atropelavam sem ritmo nem fluência e precisei de um certo tempo pra me sentir menos retardado. Logo eu, que sempre achei um pouco de frescura daquelas pessoas que se enrolam com o próprio idioma depois de algum tempo de viagem! Em Vila Real de Santo Antonio, assim como em todo o Algarve, o clima estava chuvoso - o que não combina nada com praia - e por isso, depois de caronar um tempo em vão, peguei um ônibus até Lisboa, aproveitando os preços muito mais em conta de Portugal. Lá na capital, ficaria na casa de amigos do Edílson, brazuca nota dez que conheci através do mochileiros.com, pois vivia em Lisboa mas tinha interesse de passar uma temporada em Dublin. Como organização nunca foi o meu forte, me esqueci de guardar com cuidado o papelzinho com seu número e tive de ir a um Internet Café na esperança de encontrar o telefone dele em um dos meus e-mails. O gênio aqui tinha deletado tudo. Sem o número, à noite, mais duro que canela de zagueiro, já começava a procurar áreas verdes no mapa para mais uma noite na barraca até que surgiu o Super Ângelo, carioca, divertido, terceiro melhor levantador do mundo (atrás apenas de Maurício e Ricardinho) que me fez relembrar como é boa a hospitalidade brasileira. Ao Ângelo e sua turma, Manuel, Ricardo, Garçom, um grande abraço!
Lisboa é linda! Uma capital com ares de interior que preserva muito da nossa própria história e reserva boas surpresas a cada bairro. Do centro ao Bairro Alto, passando pela Praça do Rossio, cada vista é um deleite aos olhos, seja de dentro de um tradicional bondinho amarelo seja do alto do Elevador de Santa Justa, obra de Eiffel, o mesmo que assina a mais famosa torre de Paris. Bodegas que lembram muito os botequins do nosso Brasil, com cheiros e comidas, vinhos e temperos, recheiam a paisagem marítima dessa cidade com vocação para ser bela, que ladrilha as fachadas das casas e caminha por ruas e ladeiras com nomes conhecidos, como a Augusta ou a Boa Vista, Praça Fernando Pessoa, Ponte Luis Vaz de Camões. Aqui também há muitos brasileiros, uma comunidade imensa que disputa com os portugueses as oportunidades de emprego e trazem consigo as caipirinhas, feijoadas, forrós e sambas, para a alegria de visitantes como eu. Hoje, ao contrário de antes, Portugal se parece uma extensão do Brasil, com a diferença de que a gente de lá é mais sisuda, menos alegre. Infelizmente, os portugueses me surpreenderam negativamente e a impressão que levo deles é a de pessoas mal-educadas, brutas e inflexíveis. Talvez por isso os brasileiros se dêem tão bem por lá, talvez seja justamente essa a razão de tanta agressividade ou ainda porque beijar mulher de bigode e ser motivo de piada não deve agradar ninguém. Como toda generalização incorre em erro e só fiquei alguns dias no país, pode ser que minha impressão esteja equivocada. Mesmo assim, a cidade é, ao lado de Barcelona, uma das mais belas que visitei até agora.
Finalmente, depois de dois dias, consegui me encontrar com o Edílson que, junto com a turma do Ângelo, me levou para conhecer o Parque da Expo, ao norte da cidade. Ali, muitas construções futuristas, museus, teleférico, de onde se podia ver todo o Pavilhão, churrascaria e um barzinho onde, numa convidativa tarde de sol, de frente pra baía, pude apreciar a brisa do mar, ouvir muitas músicas brasileiras e ver inúmeros casais de velhinhos lisboetas se esbaldarem na dança, "...mais belos porque são de Lisboa...", ao som da música símbolo da cidade. Depois dessa agradável tarde foi a vez de ir a Cascais, parte da Grande Lisboa, conhecer a galera que me hospedaria pelos próximos dias, amigos do Edílson. Na casa de Cascais, mais uma vez me senti feliz por ser brasileiro e fazer parte dessa família de jecas que brigam, fofocam e se adoram. Ao Beto, Rei da feijoada, que com suas histórias me inspirou a comprar um fusca, Charles, "el matador", apurado degustador de bebidas e Alemão, o mestre, futuro governador de Santa Catarina, muito obrigado, sorte, seja lá onde estiverem e churrasco na volta!
Uma rápida passada pelo Mosteiro dos Gerônimos, Torre de Belém e Monumento dos Descobrimentos, hora de me apressar porque Madri não espera, o caminho é longo e o tempo curto. Por que é que eu tive de comprar essa passagem de Madri a Bruxelas? Deixo Lisboa e Cascais pra trás, feliz por ter decidido ir até lá e com vontade de voltar. Última passagem pela Espanha, Madri, o próximo texto chega já, já!

 
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