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  Brasil -Terça-feira, 06 de janeiro de 2009 - Hora: 13:30

 
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Viagem pela Europa - Irlanda do Norte

Irlanda do Norte: Este é um dos textos que escreverei para contar a história de uma viagem: eu, minha barraca e minha mochila. Dizem que a primeira vez é sempre muito especial, inesquecível, seja pelos prazeres, seja pelas burradas ou mesmo pelos dois, afinal, qual seria a graça se não existisse em nós a vontade de descobrir, de conhecer? E se não pudesse me lembrar do dia em que resolvi aquela bendita equação aritmética na última prova bimestral (ufa!!) ou da batalha pra desabotoar o soutien (até hoje me confundo!)? 
Pois assim será esta minha primeira grande mochilagem - quanto tempo? seis meses; o roteiro? Europa. Espero poder errar pouco e me divertir muito, somos responsáveis por buscar nossa felicidade, vou compartilhar a história da minha aventura com vocês. sejam todos muito bem vindos. 
Longe de ser um magnata no Brasil (longe mesmo!), a única forma possível de financiar minha viagem seria trabalhar por algum tempo na Europa. Uma oportunidade, ou coincidência do destino me levou à Irlanda, lugar que acabou se provando uma excelente opção para trabalhar e economizar uma grana, e não tão boa assim para os que gostam de sol e boa comida. A primeira parte dessa aventura foram nove meses trabalhando em todo tipo de emprego, mas principalmente na construcao civil. Muita sorte, muito esforco e -ufa!!!!- agora posso mochilar. Muito bem, vamos aos fatos. 
A ilha da Irlanda é dividida em dois países: República da Irlanda (Eire) e Irlanda do Norte (Northern Ireland - NI). Este último, ainda vinculado à Coroa Britânica, tem o sterling como moeda oficial embora o euro seja comumente aceito em qualquer estabelecimento comercial. Não deixe de checar o fator de conversão nestes locais, geralmente é melhor trocar no banco. Sobre como trabalhar na NI sei pouco pois só fui a passeio. Belfast é o melhor destino, o custo de vida e tão alto quanto o de Dublin e, depois de todas as contas e conversões, para um mesmo tipo de emprego, o que se economiza é o mesmo. Quem se decidir por Belfast deve se informar sobre as oportunidades de trabalho e a rigidez da fiscalização, seja para trabalho ilegal, seja para a jornada semanal (em cada país é possível trabalhar até X horas por semana, dependendo do tipo de visto). 
Por outro lado, uma vez na ilha, Belfast vale a pena ser conhecida. Para chegar lá, trem e confortável, rápido e caro (www.irishrail.ie); ônibus é o melhor custo/benefício pra quem vai pagar (www.dublinbus.ie) e alugar carro é uma opção pra quem está com a galera - muitas empresas têm postos de retirada e/ou entrega por toda a ilha (www.avis.com). Agora, imbatível mesmo, é a carona. Raras foram as vezes em que paguei para viajar por aqui - no Eire é ainda mais fácil! - várias pessoas até se desviaram de suas rotas pra me mostrar um novo lugar. 
No geral, fuja dos restaurantes, são caros e com pratos repletos de batata e legumes cozidos. Carne é uma rara relíquia. Agora, se quiser pagar pra ver, procure as promoções tipo Early Bird, preços menores em horários de menor movimento. McDonald's sempre quebra o galho, mas o melhor é fazer sua própria comida. 
Um hostel barato e bem localizado, com gente de todo mundo, é o Linen Hostel, com preços a partir de 8£ ou 12?. Fica próximo à Biblioteca Municipal, ao final do calçadão central que, aliás, é um ponto de visita inevitável, o coração da cidade, onde as principais lojas se concentram, assim como o Centro de Informações Turísticas. Tomado de gente durante o dia, fica assustadoramente deserto depois das 18h. Na outra ponta do calçadão, fica o City Hall (prefeitura), um dos prédios mais bonitos que você vai encontrar, junto com a Belfast Cathedral, entrada gratuita. Além dos museus (como sempre!), outro belo lugar é a Queens University, 15 minutos à pé do centro. Na Queens, o negócio é chegar entrando em todos os lugares e salas, até que algum guarda lhe peça gentilmente pra dar o fora. Poucos sabem, mas o Titanic, bem como a maioria dos grandes e famosos navios ingleses (Olympic, Brittanic) foram construidos em Belfast, no Harland and Wolff shipyard, se sua praia e essa, va ao local e bata um papo com os marujos.
Apesar das disputas político-religiosas na região, ou Os Problemas (The Troubles), terem se abrandado nos últimos anos, Belfast ainda é uma cidade tensa, de ar carregado. Existem bairros, pubs e costumes católicos (Republicans) e protestantes (Loyalists), como o orgulho de se vestir de verde ou laranja, respectivamente. Só quem é do lugar conhece bem um ou outro, por isso, se pisar em terreno hostil (aconteceu duas vezes comigo!) e tiver algum problema mais sério, o que é incomum mas pode acontecer, diga que é brasileiro, turista, Zen-budista e que entre o Celtic e o Rangers você prefere mesmo é o Juventus da Mooca. Pra quem se interessa pelo tema, voce nao pode deixar de fazer o Black Cab Tour, 6£, um taxista vai te levar pra conhecer estes locais e te dar um pouco de historia - as vezes com relatos pessoais. 
Na segunda maior cidade da NI, Derry (católicos) ou Londonderry (protestantes), o destaque fica para o bairro de Free Derry City, onde aconteceu o Bloody Sunday - massacre de católicos pela polícia em 1972, tema da famosa música do U2 - além das muralhas antigas da cidade, de 1619, que se transformaram numa espécie de símbolo da divisão de um mesmo povo. Conversar com os moradores desta região é uma experiência única, eles são a memória viva de uma disputa que ainda existe mas a qual não se comenta. 
No extremo norte da NI, um lugar merece ser visitado: The Giants Causeway. É um conjunto de formações rochosas perfeitamente hexagonais, algumas em forma de coluna com mais de 3m de altura, logo a beira-mar e rodeadas por costões verdes e escarpados. As pedras são tão perfeitas que, à primeira vista, é difícil acreditar que sejam naturais. O nome do lugar, por sinal, vem de uma lenda, segundo a qual um gigante decidiu construir um caminho de pedras cortando o mar para poder alcançar sua amada... na Escócia!!! Não sei se o caminho avança mar adentro ou se o gigante morreu afogado com tanta chuva, mas que o lugar é bonito, isso é. O ônibus que parte de Belfast vai costeando todo o litoral norte oferecendo belas paisagens, dá pra tirar umas fotos durante as paradas. Há poucas opções de acomodação barata, e nem vale a pena se estender muito por lá, algumas horas são suficientes para conhecer o local. Por cultura gastronômica e para esquentar os ossos, tente a sopa da casa com pão, no restaurante próximo aos Giants. 
Bom, é isso, em breve falarei um pouco sobre a República da Irlanda, separando o conteúdo em Dublin e Interior do país. Um abração! 
Thiago de Sa

 
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