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Irlanda
do Norte: Este é um dos textos
que escreverei para contar a história de uma viagem: eu,
minha barraca e minha mochila. Dizem que a primeira vez é
sempre muito especial, inesquecível, seja pelos prazeres,
seja pelas burradas ou mesmo pelos dois, afinal, qual seria a
graça se não existisse em nós a
vontade de descobrir, de conhecer? E se não pudesse me
lembrar do dia em que resolvi aquela bendita
equação aritmética na
última prova bimestral (ufa!!) ou da batalha pra desabotoar
o soutien (até hoje me confundo!)?
Pois assim será esta minha primeira grande mochilagem -
quanto tempo? seis meses; o roteiro? Europa. Espero poder errar pouco e
me divertir muito, somos responsáveis por buscar nossa
felicidade, vou compartilhar a história da minha aventura
com vocês. sejam todos muito bem vindos.
Longe de ser um magnata no Brasil (longe mesmo!), a única
forma possível de financiar minha viagem seria trabalhar por
algum tempo na Europa. Uma oportunidade, ou coincidência do
destino me levou à Irlanda, lugar que acabou se provando uma
excelente opção para trabalhar e economizar uma
grana, e não tão boa assim para os que gostam de
sol e boa comida. A primeira parte dessa aventura foram nove meses
trabalhando em todo tipo de emprego, mas principalmente na construcao
civil. Muita sorte, muito esforco e -ufa!!!!- agora posso mochilar.
Muito bem, vamos aos fatos.
A ilha da Irlanda é dividida em dois países:
República da Irlanda (Eire) e Irlanda do Norte (Northern
Ireland - NI). Este último, ainda vinculado à
Coroa Britânica, tem o sterling como moeda oficial embora o
euro seja comumente aceito em qualquer estabelecimento comercial.
Não deixe de checar o fator de conversão nestes
locais, geralmente é melhor trocar no banco. Sobre como
trabalhar na NI sei pouco pois só fui a passeio. Belfast
é o melhor destino, o custo de vida e tão alto
quanto o de Dublin e, depois de todas as contas e
conversões, para um mesmo tipo de emprego, o que se
economiza é o mesmo. Quem se decidir por Belfast deve se
informar sobre as oportunidades de trabalho e a rigidez da
fiscalização, seja para trabalho ilegal, seja
para a jornada semanal (em cada país é
possível trabalhar até X horas por semana,
dependendo do tipo de visto).
Por outro lado, uma vez na ilha, Belfast vale a pena ser conhecida.
Para chegar lá, trem e confortável,
rápido e caro (www.irishrail.ie);
ônibus é o melhor custo/benefício pra
quem vai pagar (www.dublinbus.ie) e alugar carro
é uma opção pra quem está
com a galera - muitas empresas têm postos de retirada e/ou
entrega por toda a ilha (www.avis.com). Agora,
imbatível mesmo, é a carona. Raras foram as vezes
em que paguei para viajar por aqui - no Eire é ainda mais
fácil! - várias pessoas até se
desviaram de suas rotas pra me mostrar um novo lugar.
No geral, fuja dos restaurantes, são caros e com pratos
repletos de batata e legumes cozidos. Carne é uma rara
relíquia. Agora, se quiser pagar pra ver, procure as
promoções tipo Early Bird, preços
menores em horários de menor movimento. McDonald's sempre
quebra o galho, mas o melhor é fazer sua própria
comida.
Um hostel barato e bem localizado, com gente de todo mundo,
é o Linen Hostel, com preços a partir de
8£ ou 12?. Fica próximo à Biblioteca
Municipal, ao final do calçadão central que,
aliás, é um ponto de visita
inevitável, o coração da cidade, onde
as principais lojas se concentram, assim como o Centro de
Informações Turísticas. Tomado de
gente durante o dia, fica assustadoramente deserto depois das 18h. Na
outra ponta do calçadão, fica o City Hall
(prefeitura), um dos prédios mais bonitos que você
vai encontrar, junto com a Belfast Cathedral, entrada gratuita.
Além dos museus (como sempre!), outro belo lugar
é a Queens University, 15 minutos à pé
do centro. Na Queens, o negócio é chegar entrando
em todos os lugares e salas, até que algum guarda lhe
peça gentilmente pra dar o fora. Poucos sabem, mas o
Titanic, bem como a maioria dos grandes e famosos navios ingleses
(Olympic, Brittanic) foram construidos em Belfast, no Harland and Wolff
shipyard, se sua praia e essa, va ao local e bata um papo com os
marujos.
Apesar das disputas político-religiosas na
região, ou Os Problemas (The Troubles), terem se abrandado
nos últimos anos, Belfast ainda é uma cidade
tensa, de ar carregado. Existem bairros, pubs e costumes
católicos (Republicans) e protestantes (Loyalists), como o
orgulho de se vestir de verde ou laranja, respectivamente.
Só quem é do lugar conhece bem um ou outro, por
isso, se pisar em terreno hostil (aconteceu duas vezes comigo!) e tiver
algum problema mais sério, o que é incomum mas
pode acontecer, diga que é brasileiro, turista, Zen-budista
e que entre o Celtic e o Rangers você prefere mesmo
é o Juventus da Mooca. Pra quem se interessa pelo tema, voce
nao pode deixar de fazer o Black Cab Tour, 6£, um taxista vai
te levar pra conhecer estes locais e te dar um pouco de historia - as
vezes com relatos pessoais.
Na segunda maior cidade da NI, Derry (católicos) ou
Londonderry (protestantes), o destaque fica para o bairro de Free Derry
City, onde aconteceu o Bloody Sunday - massacre de católicos
pela polícia em 1972, tema da famosa música do U2
- além das muralhas antigas da cidade, de 1619, que se
transformaram numa espécie de símbolo da
divisão de um mesmo povo. Conversar com os moradores desta
região é uma experiência
única, eles são a memória viva de uma
disputa que ainda existe mas a qual não se comenta.
No extremo norte da NI, um lugar merece ser visitado: The Giants
Causeway. É um conjunto de formações
rochosas perfeitamente hexagonais, algumas em forma de coluna com mais
de 3m de altura, logo a beira-mar e rodeadas por costões
verdes e escarpados. As pedras são tão perfeitas
que, à primeira vista, é difícil
acreditar que sejam naturais. O nome do lugar, por sinal, vem de uma
lenda, segundo a qual um gigante decidiu construir um caminho de pedras
cortando o mar para poder alcançar sua amada... na
Escócia!!! Não sei se o caminho avança
mar adentro ou se o gigante morreu afogado com tanta chuva, mas que o
lugar é bonito, isso é. O ônibus que
parte de Belfast vai costeando todo o litoral norte oferecendo belas
paisagens, dá pra tirar umas fotos durante as paradas.
Há poucas opções de
acomodação barata, e nem vale a pena se estender
muito por lá, algumas horas são suficientes para
conhecer o local. Por cultura gastronômica e para esquentar
os ossos, tente a sopa da casa com pão, no restaurante
próximo aos Giants.
Bom, é isso, em breve falarei um pouco sobre a
República da Irlanda, separando o conteúdo em
Dublin e Interior do país. Um
abração!
Thiago de Sa
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