|
Haja perna pra andar em busca do carnaval do Rio de Janeiro. Na Avenida
Presidente Vargas surge um grupo de rapazes felizes, brincalhões, fantasiados de
mulher. Cada um carrega uma sombrinha aberta e na outra mão, uma boneca de pano.
Inocentes, como os cariocas são inocentes! Você encontra vários desses grupos
pelas ruas provocando risos, com trejeitos dos mais engraçados.
Quando alguém vai tirar foto, eles capricham na pose ousada e se amontoam uns
nos outros feito político quando se junta pra lavar dinheiro público. Mas deixa
de lado as meias-verdades de Brasília, afinal, é carnaval na Sapucaí.

A roupa ultra-colorida combina com perucas e sombrinhas (equilíbrio é coisa
séria).
Se é uma manifestação antiga, não consegui saber, também não sou algum espião
da Abin pra tá fazendo tour por assuntos alheios. Não consegui descobrir a
origem desses grupos, sei lá se já tem décadas, séculos; sei lá se surgiram na
África, Rússia, Japão, Vidigal, ôpa, quer dizer, Portugal!
Bater perna atrás de bloco carnavalesco é encontrar também mazelas no centro
decadente das cidades brasileiras, mas bem maior do que essa ferramenta de
abandono pode ser o carnaval, que vem dizer que as pessoas ainda são humanas.
As "meninas" das sombrinhas e bonecas salvam a pátria com alegria, que pena
que essa aura de glamour pelo centro do Rio só acontece de ano em ano. |