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  Brasil -Terça-feira, 06 de janeiro de 2009 - Hora: 19:8

 
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O Mundo da Imigração (título provisório)

 
   Viagens constroem histórias de mundo afora... Longe da cultura brasileira, sou um estrangeiro vivendo na Alemanha.
   Depois de passar o dia em caminhada pelo centro de Bremen, vem o cansaço e a saída é sentar perto da escultura do herói Roland que colocaram ali há uns seiscentos anos.
   Uma vida está parada ao meu lado, é uma argentina de 18 anos de idade. O que começou com uma simples informação sobre a hora, passou a se tornar reunião de dois países do Mercosul. É isso, muitas vezes acontecem situações curiosas entre as pessoas.
   Ela está recém-chegada de férias na Turquia e espera uma amiga para contar as novidades. Velhas amigas prestes a tomar um café. Agora somos novos amigos e por que não podemos tomar uma taça de champanhe? A conversa fica solene embaixo da estátua tradicional colocada na frente da prefeitura dessa cidade do norte da Alemanha. No momento fazemos breve análise sobre este país dos povos bárbaros, e nem lembrei de dizer que por causa deles, o destino de Roma virou cinzas.
   Num bate-papo é normal conversar sobre a nação onde se está morando, e ela, a jovem argentina, mais ainda, porque chegou aqui ainda criança, com a mãe, e hoje tem muita história pra contar. Quando estava na Argentina ela acreditava que a Alemanha seria uma pérola como juraram os amigos da escola, em Buenos Aires. Mas na Alemanha ela sofreu preconceitos naquele corpo belíssimo montado em carne e osso. E por incrível que pareça, superou. Recordou que quando disse as palavras pesadas: "vou embora deste chão argentino", os colegas de classe se sensibilizaram para dizer que ela ia morar em um país de alta categoria, onde não existia gente pobre. Aos dez anos, estava na Alemanha e diariamente na saída da escola era abordada no portão pelos colegas. Abordada? Torturada com apelidos e empurrões. O final da sua infância foi encurralado pelo preconceito da população aos estrangeiros.
   Posso acrescentar a este texto, uma outra realidade que aconteceu no Rio Grande do Sul, no parque da Oktoberfest em Santa Cruz do Sul nas terras gaúchas. Cheguei perto de um grupo folclórico formado por cavaleiros com roupas coloridas, todos imigrantes vindos da Alemanha no tempo de criança. Trouxeram para o Sul do Brasil, as tradições alemãs. A brincadeira consiste em partir disparado no cavalo, segurando uma lança e numa velocidade estonteante, tentar arrancar a fita que penduram em um arame. Folclore bem parecido com a cavalhada no Nordeste. O senhor idoso, com pouca energia para cavalgar, disse que no período da Segunda Guerra Mundial eles ficaram proibidos de apresentar esse folclore e ainda sofreram ameaças por serem alemães. Ele não via mal algum no costume trazido da Europa, mas foram chamados pra delegacia e ainda ouviram insultos do delegado como se fossem os causadores das bombas apocalípticas de Hitler.
   Reconhecida a diferença cronológica dessas duas histórias, os acidentes sofridos pela jovem argentina e pelo cavaleiro alemão do Rio Grande do Sul, são exemplos que vez ou outra se repetem na base das sociedades humanas. A revolução causada pela globalização parece que só pode ser aceita se for cibernética. Se aparece um imigrante pra fazer parte da ordem do dia de uma escola, de um bairro ou de uma cidade... A idéia global acaba na hora e a receita é tratá-lo com o primitivo dos primitivos.

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Dentro de quatro paredes, inconformado com tantos títulos para este relato de viagem, de certa forma, gostaria que você ajudasse a escolher algum desses que estão abaixo. Você pode mandar email elegendo. Se tem um outro, ou mesmo comentário sobre imigrantes, envie e obrigado!

O MUNDO DA IMIGRAÇÃO
OS PASSOS DOS IMIGRANTES
QUESTÕES DE IMIGRAÇÃO
CAPÍTULOS DOS IMIGRANTES
ROTEIROS DE IMIGRAÇÃO
SER IMIGRANTE APENAS
A MÚSICA REPETIDA DA IMIGRAÇÃO
ITENS DOS IMIGRANTES
MERCADO DA IMIGRAÇÃO
INQUIETUDE DE IMIGRANTES
DIMENSÕES DA IMIGRAÇÃO

Edmilson Vieira, é artista plástico e escreve crônicas. dnv01@hotmail.com  

  

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