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  Brasil -Terça-feira, 06 de janeiro de 2009 - Hora: 13:34

 
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Rio de Janeiro Sem Dinheiro

 
   Amigos. O sonho europeu acabou. Sai da Argentina e quem aproveitou, aproveitou, quem não aproveitou, deixou pra trás. Cheguei num Rio de Janeiro num calor daqueles. Quando fui ao caixa eletrônico do aeroporto,
a memória não deu ordem pra sacar. Fiz duas tentativas e o resultado bárbaro da máquina se resumia à palavra, "inválida". O que vocês queriam? Com guerra no Iraque, Big Brother na TV, e um mês fora do Brasil sem usar o cartão, esqueci das três letras que precisava colocar depois da senha.
   Gostaram da insensatez?

   Contava apenas com o dinheiro do hotel e do microônibus para o centro
da cidade maravilhosa, exatamente isso! Como a credibilidade dos bancos para os seus clientes só vai até a segunda tentativa, parei. Já pensaram nas conseqüências de estar numa cidade grande e desconhecida, sem dinheiro? Só tinha uma saída: procurar um médico pra receitar um estimulante cerebral.

   O bicho vai pegar!
   Mesmo nessa situação devastadora, tomei o micro e fui ao hotel. No caminho, passando pela Avenida Presidente Vargas, não encontrei o médico, e sim, medicamentos sambísticos. Era ensaio de duas escolas de samba no sambódromo. Fui com a bagagem ao hotel na Praça Tiradentes e armou-se conflito com o funcionário pra que ele recebesse somente no  outro dia. Calma, calma, mantenha a calma, ele não vai aceitar. Pegou o dinheiro com o maior prazer. Só me restavam dois reais. Falei com o motorista  de um ônibus ali na praça e consegui carona até o sambódromo (domingo à noite, 28 de janeiro de 2007). Naquele ensaio tinha a fome como samba-enredo e drama pessoal. Não que seja pró- samba, mas queria experimentar um pouco do que a Globo mostra como extraordinário.
   Sobre a cerimônia de ensaio das escolas posso dizer que também tem  música de ambulância e de bombeiro pra socorrer as vítimas que não agüentam o calor. Numa determinada hora, os seguranças abrem os portões e parte do público que está na rua tem autonomia pra se sentir dono da festa. Do lado que a bateria da escola fica estacionada, tem placas indicando o lugar da comissão julgadora. Ao terminar o primeiro desfile, passaram quatro ônibus com cartazes na frente informando o nome da ala e do responsável. Os camarotes ficam fechados e só existe uma categoria, a geral. A multidão eufórica flutuando na arquibancada e as pessoas do meu lado conversando sobre escolas rivais. Cada integrante é uma estrela e sua alegria colabora pra levantar o ânimo da torcida. Fiquei tentando entender o que significava aquele evento, próprio do hemisfério sul. Se a festa é feita na maioria pelo povo pobre, como diz a TV, porque naquele momento, todos tinham dinheiro pra voltar pra casa, pra comer um cachorro quente, e eu não? Só dois reais pra sonhar. Arrastei do bolso o valor e comprei um refrigerante, minha porção de veneno pra enganar a fome e matar a sede.
   Lá pela uma da madrugada, defini a estratégia de volta ao hotel: seguir a
multidão que ia a pé.
   Na solidão do quarto estava proibido de pensar em comida pra não destruir os últimos hemisférios do cérebro. Também não podia ficar maluco tentando lembrar letra de conta de banco. De manhã ao acordar, abriu-se uma trilha e veio nesta ligação, cada uma das três letras esperadas. Na própria praça tem uma agência da Caixa Econômica Federal. Os dedos digitaram sem precisar de luta. Foi a proporção exata que estava faltando.
   Vou te levar prum restaurante! A mais importante volta ao mundo da alimentação: suco, café, almoço e sobremesa. "Avisa lá, avisa lá, avisa lá êô, avisa lá que eu vou" comparar com as comidas argentinas. E esse foi o início de uma nova era do sobrevivente da senha digital.
 

Edmilson Vieira, é artista plástico e escreve crônicas. dnv01@hotmail.com  

  

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