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Aqui começa a busca por Buenos Aires. A primeira atitude é dizer
que você pode imaginar essa cidade portenha como um lugar bonito,
cinematográfico e que foi construído com ternura e glamour. Um pouco do mundo
numa populaçäo de 14 milhões de habitantes. |
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Se alguém no Brasil lhe encarregar de procurar alguma coisa na
Argentina, o que seja, você encontra, menos a esperança de que dias melhores
virão. Isso não é por causa da crise que foi impecável enquanto durou, mas
devido ao barulho dos ônibus urbanos. O motor desses veículos parece que é feito
com a turbina dos antigos aviões da Aerolíneas Argentinas. Como iam ser usados
nas ruas, regularam para o barulho fosse ainda maior. A música remasterizada que
eles produzem é uma ópera do inferno e os decibéis repercutem até na Cordilheira
dos Andes, menos nos ouvidos do povo. Uma semana de férias na cidade e a única
vítima ainda näo se acostumou com a cançäo, que faz parte do show imperdível pra
quem caminha nas ruas centrais. |
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A rotina é andar para ver a riqueza dos prédios que oferecem um
museu a céu aberto. Como já está fazendo 16 anos da última visita, o passado
pode ser comparado às muitas lojas e restaurantes fechados. As circunstâncias
que levaram à quebradeira geral, estäo na época da ditadura militar, no fracasso
do capitalismo mundial, no caráter dúbio de quem escreve e na atenção de quem lê. |
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Esse primeiro ensaio sobre Buenos Aires e seu barulho,
protagonizado pelos próprios ônibus argentinos, e vivido por quem está passando
pela experiência de uma guerra, chega ao fim, pois está na hora de ir às ruas e
se defrontar com os turbo-ônibus. |
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Edmilson Vieira, é artista plástico e escreve crônicas.
dnv01@hotmail.com
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