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  Brasil -Terça-feira, 06 de janeiro de 2009 - Hora: 5:23

 
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Alemanha sem Zum Zum Zum

   Era sábado e ia acontecer uma partida de futebol sem comparação na história de Bremen. Justamente o time da cidade ia competir. Eles queriam abocanhar a taça da final do campeonato nacional da Alemanha. Os indivíduos alemães bremenianos passaram o dia sob efeito de sedativos para poder suportar a ansiedade e a isquemia cerebral arterítica antibiótica dos nervos fracos.

   Uma quantidade de torcedores vestia camisetas coloridas e conseguiu mudar a fisionomia do centro da cidade. Eram grupos sedentos de goleada rumando em direção ao estádio. Foi a primeira manifestação futebolística que vi depois de semanas na Alemanha. A confusão fez lembrar a euforia dos brasileiros quando enfrentam os adversários argentinos.
   Parece que em qualquer lugar do mundo, os torcedores são frutos de uma mesma raiz: gritam, desfraldam bandeiras e costumam correr pelas ruas querendo quebrar o que encontram pela frente, menos os juros altos.
   Já que faço pouco-caso com futebol, o meu amigo alemão Carlos Zülck se limitou a explicar a importância da partida e disse que a comemoração ia ser grande se o time da casa ganhasse.
   Voltamos ao apartamento, já passava das dez horas da noite. O dia ainda não tinha escurecido no verão europeu. O sol, por puro exibicionismo achava que era importante o suficiente pra ficar até tarde e só ia se pôr às onze da noite... Mais, mais, ele invade até perto da madrugada. Se você nunca viu, quando tiver a oportunidade, vai se surpreender com tal fenômeno lingüístico.
   A partida tinha acabado e reencontramos os torcedores vindos do estádio. Passavam em carros e ônibus superlotados, mas a alegria não estava evidente, não existia uma só pessoa inquieta ou pelo menos contando as jogadas por celular para um amigo que não pôde ir ao estádio do Boca Júnior de Bremen. Se o time ganha e não comemoram, o que estava acontecendo de mais importante naquele momento? Nada de festa, nada de carreata. Nesses casos, ou o mundo está louco, ou estou eu. Aí volto a consultar o especialista: o amigo Zülck disse que a vitória foi bonita, e como estava passando das dez da noite, não podiam mais comemorar, mesmo o dia estando claro. Contou que uma vez o governo da Alemanha resolveu dar uma de "bonzinho para o consumidor" e liberou a comemoração até chegar a madrugada, isso foi no dia em que se tornaram campeões da Copa do Mundo.

   A proibição é para proteger o ouvido das outras pessoas. Se alguém for contra a lei, a polícia fabrica a multa na hora e dá de presente ao infrator. A democracia pode ser um programa ou remédio, com reações adversas, que acompanha até mesmo o convívio do futebol. A regra multivitamínica que permite ganhar o jogo é a mesma que proíbe transferir gritos e buzinadas para o placar das ruas.
  
É só questão de hora, depois das dez da noite não, por favor. Mas nem um pulinho, governo alemão? 

Edmilson Vieira, é artista plástico e escreve crônicas. dnv01@hotmail.com  

  

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