|
|
|
|
|
Alemanha - Brasileiro filma
a Alemanha |
|
|
Quando estamos nos botecos da vida, por vezes, baixa um clima lendário,
um repertório de lembranças: amigos distantes, cidades, passeios... Mundo,
vasto mundo! Ah, se eu me chamasse Raimundo Drummond de Andrade VIEIRA...
|
|
Todos os dias andava de bonde, do subúrbio até o centro de Bremen,
cidade do Norte da Alemanha.
|
|
Dava pra reconhecer que os prédios não têm a beleza dos
monumentos do Vaticano, mas tive a idéia de lançar mão de uma filmadora e de
dentro do bonde, sair filmando em 24 quadros por segundos. Afinal, não custaria
nada.
|
|
No terminal do bonde, um verdadeiro vendaval de passageiros
entrou no veículo para ir ao centro da cidade alemã.
|
|
Você já sabe como são as palavras em alemão, o nome do
bairro não é simples como por exemplo, Londres, Paris, chama-se Hukelride.
Pela janela do bonde, vendo os passantes, as casas, as bicicletas, e nós, bem
ali, deslizando em cima de um calçamento perfeito. Parece que os hectares de
pedra foram colocados do mesmo jeito dos chineses quando fizeram a Grande
Muralha.
|
|
A diversão de Hukelride até o centro leva exatos 11 minutos
de bonde, mesmo que caia neve ou o Muro de Berlim, onze minutos sem atraso.
Moral da história: filmei de dentro do bonde através da janela. O passeio não
se compara a uma façanha da peregrinação do caminho de Santiago de Compostela
ou a investida dos soldados americanos em busca de petróleo no Iraque, mas
filmei.
|
|
O bonde chegou no centro e depois de lotado,
custava caro filmar. Lá dentro, o aperto só permitia ver mão, roupa e
cabeça de gente.
|
|
Cometer o erro de não filmar a escultura de
porcos numas das ruas do centro de Bremen, iria me custar a cena mais
importante do roteiro do filme. O piloto do bonde corria feito o nosso
conterrâneo Rubinho Barrichello, mas ele teria de pagar caro caso não
diminuísse a velocidade diante daquele monumento. Uma pergunta: é possível
ver poesia em um monte de porcos esculpidos em bronze? Não cheguei a contar
a quantidade, mas aquela obra de arte deve ser formada por uns dez animais
em tamanho natural. Adornando eles, sempre algumas pessoas sentadas em cima.
Essa façanha eu não fiz, não cheguei nem perto. Se confundissem minhas
orelhas? Lá se ia emoção e choro.
|
|
A filmagem saiu média... Não, não, saiu
extraordinária!
|
|
O presente para mim mesmo já estava concluído.
Desci do bonde e começou a caminhada pelo centro medieval de Bremen. -
Corta, corta! Terminou o filme e aí já é história pra outro relato.
Plim-plim!
|
|
|
|
Edmilson Vieira, é artista plástico e escreve crônicas.
dnv01@hotmail.com
|
|
|
| Contato |
| Deixe um
recado comentando o texto para Edmilson Vieira |
|
|
|
|