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Polônia: Nesta
quarta reportagem, vamos conhecer o Museu Estadual de Oswiecim (Auschwitz
é a versão alemã), cujo nome inspirou terror por cinco longos anos entre
a população dos territórios ocupados pelo nazismo.
O campo de Auschwitz foi
criado em abril de 1940, Rudolf Höss, apontado como seu primeiro
comandante. A princípio foi um instrumento de terror e extermínio de
polonoses. Com o passar do tempo, os nazistas começaram a trazer para o
campo, pessoas de toda a Europa, principalmente judeus – prisioneiros de
guerra soviéticos, ciganos, tchecos, iugoslavos, franceses, austríacos,
holandeses, entre outros, sendo que no período de maior atividade, o campo
chegou a comportar por volta de 20.000 pessoas.
A maioria dos judeus chegavam ao campo convencidos de que seriam
reassentados no Leste Europeu. Os nazistas vendiam-lhes terras que não
existiam ou ofereciam trabalho em fábricas fictícias, dessa forma, eles
sempre traziam consigo suas posses mais valiosas. A distância entre o local
de origem até o campo era muitas vezes superior a 2.400 Km, a viagem era
feita em vagões selados e nenhum alimento era fornecido. Após 7 ou mesmo
10 dias de viagem muitos estavam mortos (principalmente idosos e crianças)
os que sobreviviam estavam completamente exaustos. Após o desembarque todos
eram imediatamente examinados por médicos da SS e os considerados inaptos
ao trabalho (70 – 75%)eram imediatamente conduzidos às câmaras de gás
sem qualquer registro, daí a dificuldade em precisar o número exato de vítimas
(1.500.000 segundo a maioria dos historiadores).
Logo na entrada, sobre o portão principal, lemos a cínica frase:
“Arbeit Macht Frei”(O trabalho traz a liberdade), sob a qual os
prisioneiros passavam diariamente após 12 horas ou mais de trabalho, ao som
de um orquestra tocando marchas, isso tornava o trabalho de contagem dos
prisioneiros mais eficiente. No campo, a morte era rotina, ela vinha com a
fome, execuções sumárias, trabalho pesado, punições ou como resultado
de condições sanitárias precárias.
Entre 1940 e 1945, 28 blocos em Auschwitz eram usados para
“acomodar” os prisioneiros, hoje, 8 deles contêm exposições de fotos
e obras de arte de cada país envolvido na tragédia. Os demais blocos
trazem informações sobre a chegada, processo de execução nas câmaras de
gás e dia-a-dia dos prisioneiros, ou ainda, as provas materiais dos crimes:
escovas de dente, pentes, sapatos (aos milhares), panelas, óculos, membros
artificiais, muletas, muitas malas com os nomes e endereços dos deportados
(mostrando que eles tinham esperança de reaver seus pertences) e...cabelos!
Quando o campo foi liberado pelo exército soviético, foram encontradas
sete toneladas de cabelos, isto foi o que não deu tempo de ser vendido ou
enviado para as fábricas do Reich onde eram transformados em tecido. Obturações
de ouro eram tranformadas em lingotes e cinzas humanas usadas como
fertilizante ou para “aterrar” lagos e leitos de rios próximos.
Os blocos 10 e 11 merecem atenção especial. No bloco 10, médicos
da SS realizavam experiências cruéis, por exemplo, Dr. C. Clauberg fez
testes envolvendo esterilização em mulheres judias para desenvolver métodos
eficientes de extermínio biológico de nações inteiras. Dr Joseph Mengele
fez experiências com gêmeos e deficientes físicos, além de dolororosas
transfusões de pele e testes com substâncias tóxicas. O bloco 11 ficou
conhecido como “O Bloco da Morte”, era uma prisão dentro da prisão,
completamente isolado do resto do campo, lá eram expedidas de algumas dúzias
a uma centena de penas de morte em cada sessão da corte da Gestapo (que
durava de duas a três horas). Os condenados eram então conduzidos ao
subterrâneos para morrer de fome ou por sufocamento em pequenas celas, ou
ainda, conduzidos ao pátio, ao “Muro da Morte” para serem fuzilados.
O último ponto a ser visitado é o crematório; logo na entrada, um
aviso pede silêncio em respeito às milhares de pessoas que lá perderam a
vida. Falsos chuveiros foram colocados no teto das câmaras de gás, pois os
recém chegados acreditavam que iriam tomar um banho, na realidade, oficiais
da SS colocavam por uma abertura no teto a substância Cyclon B (5 a 7 Kg
eram suficientes para matar 1.500 pessoas em no máximo 20 min). Os corpos
eram então levados aos fornos para a cremação.Ao lado da chaminé do
crematório, fica a forca que foi usada em 16 de abril de 1947 para enforcar
o primeiro comandante Rudolf Höss.
Bem! Aqui encerro esta série de reportagens sobre a Polônia,
aproveito para agradecer à Maxxi Color pela atenção, apoio e
material fotográfico, a Magdalena Grabinska pela paciência em traduzir as
informações dos guias turísticos e pelas informações complementares. Um
abraço a todos. Brasil!Tô
chegando!
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