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Tradição. Essa
palavra é respeitada no mundo inteiro e no Recife sua
função fica clara na época do Natal. Na hora das
apresentações dos grupos folclóricos, entre outras
coisas, são relembradas normas de guerra estabelecidas
pelos portugueses e árabes desde os séculos da Idade
Média.
Os pastoris têm jornadas e suas cores são encarnado e azul. As
meninas dançam uma, duas horas e é bem provável que
dancem por mais tempo, caso o clima da platéia seja de
euforia. O público aparece também para ver o reisado. O
tema que eles apresentam merece atenção, fala de um
passado quando existia rei em Portugal. E o próprio
soberano está ali com sua coroa e espada para enfrentar
o inimigo árabe. Então, os turistas menos avisados
veriam nele um samurai ocidental? A realização do
folguedo da Nau Catarineta implica na história de uma
tripulação que é dada por perdida no mar durante sete
anos e um dia. Duas violas acompanham a dança dos
marinheiros e a agonia é mostrada através dos textos
recitados, cantados e encenados. Segundo o grupo, a nau
catarineta de Canguaretama do Rio Grande do Norte se
configura como a única do Brasil. A apresentação foi
vista com toda magia no Sítio da Trindade na capital
pernambucana.
Os espetáculos do ciclo
natalino são entrelaçados pelas luzes ornamentais que já
fazem parte do cartão postal. Quem atravessa as pontes
no corre-corre das compras de final de ano vê um
caleidoscópio multicolorido nos quatro cantos do centro
do Recife.
Mesmo que a cultura popular esteja sendo atropelada pela novela da
globalização, ela continua forte. Deixar de admirá-la,
jamais!
Edmilson Vieira é artista
plástico e escreve
crônicas dnv01@hotmail.com
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