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Em se falando de
costumes, o alvo festivo do pernambucano não é só o
carnaval. Tem uma tradição que consegue arregimentar
verdadeiro exército com ramificações por outros estados
do Nordeste: a vaquejada. Esse evento que deixa dois
seres humanos felizes por derrubarem um boi pelo rabo
acontece em qualquer época do ano e geralmente longe dos
centros urbanos. Quando a porteira é aberta, o animal
sai correndo numa verdadeira rebelião estudantil e atrás
dele, vêm os dois cavaleiros como se fizessem parte de
uma tropa de choque. A queda do boi tem de ser num
determinado lugar da pista e o ruminante mergulha na
areia parecendo o atleta Gustavo Borges nas piscinas
olímpicas.
A vaquejada transcorre numa pista comparada ao tamanho de um campo
de futebol. O local é plano, mas o turista que não
conhece pode pensar que é lugar para lançamento de
foguete.
Além da perseguição ao
animal, a vaquejada congrega atrações diversas como
feira de artesanato e shows. Quem está curioso pra
conhecer e pensa que vai encontrar o vaqueiro
nordestino, está enganado. Hoje em dia é um desfile de
chapéus e cintos "made in Barretos", que por sua vez os
paulistas vêm copiando da Casa Branca há anos-luz.
O povo embarca nas arquibancadas que ficam dos lados e como se
estivesse em Bagdá, palavra árabe não falta, como por
exemplo, “mourão”. No intervalo, a festa é embalada
pelos aboiadores: dois homens cantando uma música
arrastada, penosa, que deve ser de origem árabe e a
civilização portuguesa trouxe até o Nordeste brasileiro.
Os guerreiros passam três dias no evento de "derrubação
de boi", dando valor à história, promovendo o que era
dos antepassados. Infelizmente, a festa em um instante
chega ao fim. Que pena!"
Edmilson Vieira é artista
plástico e escreve
crônicas dnv01@hotmail.com
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