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Ratatouille chega
a dar água na boca. O filme junta a fome com a vontade
de comer doces e salgados. Mas ele também se torna um
duro golpe quando você vê a metáfora da sociedade humana.
É bem difícil acreditar que um dia, os mendigos, vindos
do esgoto reguem com molho, os pratos que os ricos irão
comer e gostar.
A impressão que dá é que em determinado momento, um
pobre resolve recusar os restos de comida. E a atitude
do rato tem um motivo: por causa do amor à leitura. Até
nisso os livros causam alegria!
Do começo ao fim, ninguém consegue ficar distraído: ora
a cidade de Paris sucumbe dos bueiros; ora os gestos dos
ratos e humanos são um samba que só a computação gráfica
dirigida por Brad Bird pode criar.
Desta vez foi! A mensagem é de sentido de equipe,
liderança, ética e higiene. Vinda de um rato? A tela
inteira cheirando a pão e condimentos ajudando o
personagem Remy a lutar por seu ideal, sua profissão,
mesmo que a família no início seja contra.
Depois do filme, a gente sai na rua olhando atentamente
por onde pisa. Ratatouille é mais do que uma brincadeira,
é um concerto musical que começa no esgoto, bem longe,
lá no estrangeiro.
Edmilson Vieira é artista
plástico e escreve
crônicas dnv01@hotmail.com
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