|
Recife, área central,
água doce poluída, passado e consumidores que vão e vêm.
Por que tanto contorno, quando já poderia ter baixado o
arquivo das pontes que é esse o assunto a ser tratado?
Ôpa, encontrei-o!
Andando no centro da cidade, pensamento positivo de que
não vai ser assaltado, encontramos um entrelaçado de
ferros sobre as águas do Rio Capibaribe. Sem dúvida que
é a ponte da Boa Vista, produto made in Inglaterra. Sua
beleza pode não ter concorrência com outras pontes do
Brasil. As pessoas cruzam suas cabeceiras em ritmo
frenético. Mão e contra mão de gente. Uns trabalham,
outros estudam, milhões de pés cruzam e encontram
momentos de calma enquanto caminham por ela.
Este ano resolvi admirá-la de longe. Mas hoje fiz
diferente, fui passageiro. Enquanto atravessava, o
passado veio à mente. Na década de 1930, o Zepelim
trafegava no céu e a ponte era trafegada por homens de
paletó. Os dois, dirigível e homem, acreditavam que eram
modernos.
Não tem turista para fotografar, a violência e os
tubarões afastaram boa parte dos visitantes da cidade. A
ponte é um cartão postal pintado sem harmonia, com
lâmpadas mal colocadas. E olha que gastaram dinheiro...
“É o fim da aventura humana na terra!”
Segundo a inscrição nas pilastras, foi inaugurada no ano
de 1890. Através de textos em alto relevo, ela aponta
momentos da história de Pernambuco e do Brasil. São
escritos parcelados nas quatro colunas. Quem sai da Rua
da Imperatriz chega rápido à Rua Nova através dessa
plataforma de 145 metros. A ação da prefeitura impede
que os camelôs... Uma comparação: transformem a ponte
numa Bagdá, num mercado persa... Ou feira da Sulanca de
Caruaru.
A ponte da Boa Vista tem as vísceras de ferro expostas
ao vento. É por isso que me causa impacto. Vigi Maria!
http://www.soutomaior.eti.br/fergon/paginas/pontes.htm
Edmilson Vieira é artista
plástico e escreve
crônicas dnv01@hotmail.com
|