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  Brasil -Terça-feira, 06 de janeiro de 2009 - Hora: 11:31

 
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Edmilson Vieira

Garanhuns - PE

Caminhando e Cantando, mas não siga a lição.

Tem coisas na cidade de Garanhuns em Pernambuco, que ninguém sabe quem trouxe ou quem inventou. Passa o tempo e algumas dessas falhas não se consertam, não se renovam; ficam escritas no livro do cotidiano dos
moradores.

 Calçadas, por exemplo, poderiam ser instrumentos pras pessoas andarem, mas não, trazem muros e entulhos. O repertório não fica só nisso, têm ainda
cadeiras de bares, montes de areia, cimento, galhos de árvores e carros
estacionados como se fosse algo medieval. Diferente também é o destino que se dá aos canteiros nas avenidas: acrescentam restos de construção e
materiais os mais diversos.

 Será que alguém já observou os semáforos na Avenida Rui Barbosa? Normalmente o carro vem, pára no primeiro sinal e depois vai parando em todos os outros. Isso é improviso! Ainda não foi observado que eles sincronizados abririam simultaneamente. O mais sagrado de tudo é a indiferença das pessoas: simplesmente não percebem. Uma atitude de insensibilidade costuma ser decorrente de outra, e, assim, podemos ligar paralelamente aos outros problemas do Brasil, grandes ou pequenos. O que muda são os intervalos e as distâncias. Os exemplos são inúmeros, mas já que se tocou no assunto, é preciso falar também nos postes dessa mesma avenida. Eles têm característica única. Quem dirige o carro, conduz no meio-escuro. Os postes altos iluminam o quintal das casas e a copa das árvores. As pessoas que passam por baixo dos flamboyants ficam andando no escuro, pessoas que se diz aqui nesta crônica, são os tais seres humanos, animais em via de extinção por conta do efeito estufa.

  Por último, o caleidoscópio se completa com a rubrica que deixaram na Praça Jardim, no centro da cidade. Qual o sentido das grades que formam um ziguezague? Os pedestres têm que passar pelo asfalto contemplando e correndo para não ser atropelados pelos carros. Andar pela calçada onde estão esses ferros, é impossível. É preciso primeiro, decodificar a praça pra depois poder trafegar por ela. Em outros lugares, esses exemplos poderiam se chamar qualquer coisa, menos harmonia de viver.

  Estes são alguns produtos e serviços que a cidade dedica aos seus moradores, mas de qualquer forma... Não deixam de ser originais e criativos.

   Edmilson Vieira é artista plástico e escreve crônicas dnv01@hotmail.com 

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