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Caminhando e
Cantando, mas não siga a lição.
Tem coisas na
cidade de Garanhuns em Pernambuco, que ninguém sabe quem
trouxe ou quem inventou. Passa o tempo e algumas dessas falhas
não se consertam, não se renovam; ficam escritas
no livro do cotidiano dos
moradores.
Calçadas,
por exemplo, poderiam ser instrumentos pras pessoas andarem, mas
não, trazem muros e entulhos. O repertório
não fica só nisso, têm ainda
cadeiras de bares, montes de areia, cimento, galhos de
árvores e carros
estacionados como se fosse algo medieval. Diferente também
é o destino que se dá aos canteiros nas avenidas:
acrescentam restos de construção e
materiais os mais diversos.
Será
que alguém já observou os semáforos na
Avenida Rui Barbosa? Normalmente o carro vem, pára no
primeiro sinal e depois vai parando em todos os outros. Isso
é improviso! Ainda não foi observado que eles
sincronizados abririam simultaneamente. O mais sagrado de tudo
é a indiferença das pessoas: simplesmente
não percebem. Uma atitude de insensibilidade costuma ser
decorrente de outra, e, assim, podemos ligar paralelamente aos outros
problemas do Brasil, grandes ou pequenos. O que muda são os
intervalos e as distâncias. Os exemplos são
inúmeros, mas já que se tocou no assunto,
é preciso falar também nos postes dessa mesma
avenida. Eles têm característica única.
Quem dirige o carro, conduz no meio-escuro. Os postes altos iluminam o
quintal das casas e a copa das árvores. As pessoas que
passam por baixo dos flamboyants ficam andando no escuro, pessoas que
se diz aqui nesta crônica, são os tais seres
humanos, animais em via de extinção por conta do
efeito estufa.
Por último, o caleidoscópio se completa com a
rubrica que deixaram na Praça Jardim, no centro da cidade.
Qual o sentido das grades que formam um ziguezague? Os pedestres
têm que passar pelo asfalto contemplando e correndo para
não ser atropelados pelos carros. Andar pela
calçada onde estão esses ferros, é
impossível. É preciso primeiro, decodificar a
praça pra depois poder trafegar por ela. Em outros lugares,
esses exemplos poderiam se chamar qualquer coisa, menos harmonia de
viver.
Estes são alguns produtos e serviços que a cidade
dedica aos seus moradores, mas de qualquer forma... Não
deixam de ser originais e criativos.
Edmilson Vieira é artista
plástico e escreve
crônicas dnv01@hotmail.com
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